Cada dia me surpreendo mais com as sutilezas da nebulosa alma feminina. Mais do mesmo, é verdade. Mas é uma repetição de igualdades tão desiguais, de tal forma que esse início de texto parece mais o diário de um louco do que um post sério, num blog sério, de alguém sério. Mas peraí! Quem disse que esse blog é sério? Que esse post é sério? Que o assunto é sério? (Qualé, achou que eu ia dizer que eu não sou sério?)
Pois é. Cada dia me surpreendo mais com as sutis demonstrações de poder das garotinhas do meu Brasil varonil. É IMPRESSIONANTE a capacidade que elas tem de jogar pra cima da gente as decisões e responsabilidade nas tentativas e inícios de relações. Tudo bem que, após iniciada, é 'empurrado' pra cima delas a responsabilidade de manter os laços afetivos, mas digamos que o trabalho para iniciar algo é grande. Às vezes, grande demais.
Tudo começou quando me toquei que SEMPRE, as mulheres fazem questão de se esquivar e tirar o delas da reta. O cara lá, cercando, cheio de incertezas quanto a 'qualé' a dela, e a mina apenas diz 'o que tem que ser será, as coisas acontecerão naturalmente, tudo a seu tempo'. Porra, na boa: ela nem fode nem sai de cima. Se num tá afim diz, "nãao tô afim, vamos só sair como amigos, não cria esperança ou então não saímos". Se tá afim, diga qualquer coisa que dê a entender que tá afim.E aí podemos ir com calma. Mas temos certeza que ela está afim. A Mulher se esquiva, faz que num quer quando quer, vira o rosto e, no final, era só charme. Beija, faz aquelas brincadeiras perigosas no pescoço e acaba fazendo, em poucos minutos, o cara esquecer todo o esforço e achar que valeu a pena. Até a próxima saída. O próximo charme. O próximo não quer quando quer.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A palhaçada com repercussão mundial...made in Ceará
http://blog4olhos.blogspot.com/2009/09/palhacada-com-repercussao-mundialmade.html
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Transa Gramatical - obtido na internet
Uma acadêmica do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco – (Recife) venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa Recifense. O motivo de sua vitória foi a ousadia sensual e a criatividade para construir sua redação.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.
E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice..
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.
E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice..
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Somos quem podemos ser
"Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem"
Engenheiros do Hawaii
Cada dia mais me convenço que não existe ser humano normal. Tem gente que grita, sussurra, não fala ou não cala a boca. Mas afinal o que é normal? Se normal significa padrão, o padrão é sermos loucos assassinos, depravados e epicuristas. Se o padrão é seguir a bíblia, somos loucos preconceituosos, falsos puritanistas e bitolados no reino dos céus. Mas, e se o padrão fosse a essência do movimento punk, o "faça você mesmo, mesmo que não saiba fazer"? Será que não seríamos mais felizes? Se tivessemos um padrão de 'normalidade' que valorizasse nossas ações enquanto praticantes, e não como suplicante? Não sei, não sei. Só sei que talvez eu seguisse o padrão. Ou não.
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem"
Engenheiros do Hawaii
Cada dia mais me convenço que não existe ser humano normal. Tem gente que grita, sussurra, não fala ou não cala a boca. Mas afinal o que é normal? Se normal significa padrão, o padrão é sermos loucos assassinos, depravados e epicuristas. Se o padrão é seguir a bíblia, somos loucos preconceituosos, falsos puritanistas e bitolados no reino dos céus. Mas, e se o padrão fosse a essência do movimento punk, o "faça você mesmo, mesmo que não saiba fazer"? Será que não seríamos mais felizes? Se tivessemos um padrão de 'normalidade' que valorizasse nossas ações enquanto praticantes, e não como suplicante? Não sei, não sei. Só sei que talvez eu seguisse o padrão. Ou não.
sábado, 13 de junho de 2009
Dia dos Namorados...passou

"Dia dos namorados, nós dois abraçados a sós"
Interessante como a humanidade consegue corromper tudo aquilo que a cerca. O dia dos namorados, também conhecido como Dia de São Valentim, é comemorado no Brasil no dia 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio, 13 de junho. Santo Antônio é conhecido como "santo casamenteiro", devido às suas pregações enaltecendo os laços familiares. O dia dos namorados, tradicionalmente uma data de troca de presentes para celebrar a união entre casais, hoje é só uma data para trocar presentes. É engraçado como o marketing sempre tenta nos convencer que se comprarmos o anel tal, a roupa tal, irmos a tal restaurante, estaremos fazendo a pessoa amada feliz. Será? Será que o problema do dia dos namorados não é exatamente existir um único dia para eles, quando todos os dias deveriam ser dos namorados? E assim sentimos a pressão das forças ocultas da nossa maravilhosa sociedade: quem tem namorado(a), que compre isso, aquilo e mais um pouco. Quem não tem, que arranje um(a) para comprar do mesmo jeito. Se não arranjar, recorra às festas de solteiros para tentar desencalhar, ou seja, pague para entrar e consumir em algum lugar. Moral da história: para que serve o dia dos namorados mesmo?
Deixo, pois, para reflexão, a música do mestre genial Francisco Buarque de Hollanda, um verdadeiro mestre na tentativa de compreender o universo feminino, que certa vez descreveu os relacionamentos, pela óptica de uma donzela, assim:
O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e assustada, eu disse não
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e assustada, eu disse não
O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração
Terezinha - Chico Buarque
domingo, 31 de maio de 2009
Vida minha vida...
"Eu sou funcionário, ela é dançarina"
E assim Francisco Buarque de Hollanda inicia o único post desse mês caótico de tantas coisas feitas, tantas tarefas cumpridas e outras tantas por fazer. E a vida segue, assim como sempre, sem perguntar como vamos, ou nos sentimos. Sem justiça e sem perdão. Enquanto uns trabalham, outras dançam. Não no sentido laboral, do suor molhando o rosto naquilo que os capitalistas chamam de trabalho, e os filósofos de exploração. Mas no sentido dos jogos de salão, das dissimulações da vida que elas dominam tão bem. No ramo da sedução, sou um aprendiz sem graça que mal sabe o que é a vida. No entanto, todo aprendiz tem o que ensinar. E, vamos combinar, que esse aprendizado é no mínimo delicioso. Da adrenalina periodicamente produzida, à dopamina que simboliza o prazer, aprender os jogos da vida é uma tarefa árdua, mas realmente interessante. E necessária. Já dizia a grande amiga Ana Paula, do blog Quebramundo (ver seção Blog de Companheir@s), citando o barbudo engenheiro: "Sentir com inteligência, pensar com emoção."
Foto obtida em: http://spf.fotolog.com/photo/31/57/70/kurini/1237077292268_f.jpg através do google images.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O menino atrás da árvore
Esses dias tava passando de carro por uma grande avenida, que começa no centro e termina na praia. Era uma descida. No meio-fio, do lado do motorista, havia uma árvore não muito alta, nem muito larga, de forma que percebi "algo" se mexendo atrás dela. Acelerei, mas virei o rosto para ver o que era 'aquilo'. Aquilo era um menino negro, pouco mais de 1,50m e que aparentava ter uns 8 ou 9 anos de idade. Ainda que tenha percebido tudo isso a 80km/h, impressionante foi notar a mão esquerda dele fechada embaixo da blusa, como que escondendo algo.E realmente estava.
O pirralho rapidamente abriu a mão, desenrolou um chiclete e colocou na boca. Esperou o carro que eu dirigia passar, e desatou a correr com os braços abertos, aproveitando a descida para ganhar velocidade na forma flinston de se deslocar: com os pés. O sorriso que vi pelo retrovisor, a alegria, a liberdade daquele pirralho, me fizeram divagar no ramo da filosofia existencial. Afinal, eu, dentro de um carro confortável, com ar-condicionado e direção hidráulica, estava muito menos alegre e livre do que aquele favelado com cara de fome.
Provavelmente, a diferença entre nós dois é somente uma, e ela passa longe de poder aquisitivo ou local de moradia: para ele, eu fui só mais um carro de vidro fumê que passou acelerando quando o viu, mas, para mim, ele foi aquele que mudou minha forma de ver o mundo, apenas com um sorriso. Depois disso, pequenos momentos tornaram-se muito especiais. Preciso ter sempre em mente que não é o dinheiro que trás felicidade. E, com o detalhe de um reflexo de espelho, o mundo magicamente mudou. Para melhor.
O pirralho rapidamente abriu a mão, desenrolou um chiclete e colocou na boca. Esperou o carro que eu dirigia passar, e desatou a correr com os braços abertos, aproveitando a descida para ganhar velocidade na forma flinston de se deslocar: com os pés. O sorriso que vi pelo retrovisor, a alegria, a liberdade daquele pirralho, me fizeram divagar no ramo da filosofia existencial. Afinal, eu, dentro de um carro confortável, com ar-condicionado e direção hidráulica, estava muito menos alegre e livre do que aquele favelado com cara de fome.
Provavelmente, a diferença entre nós dois é somente uma, e ela passa longe de poder aquisitivo ou local de moradia: para ele, eu fui só mais um carro de vidro fumê que passou acelerando quando o viu, mas, para mim, ele foi aquele que mudou minha forma de ver o mundo, apenas com um sorriso. Depois disso, pequenos momentos tornaram-se muito especiais. Preciso ter sempre em mente que não é o dinheiro que trás felicidade. E, com o detalhe de um reflexo de espelho, o mundo magicamente mudou. Para melhor.
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